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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Só se Pode Ser Feliz Simplificando

Só se Pode Ser Feliz Simplificando

Só se pode ser feliz simplificando, simplificando sempre, arrancando, diminuindo, esmagando, reduzindo; e a inteligência cria em volta de nós um mar imenso de ondas, de espumas, de destroços, no meio do qual somos depois o náufrago que se revolta, que se debate em vão, que não quer desaparecer sem estreitar de encontro ao peito qualquer coisa que anda longe: raio de sol em reflexo de estrelas. E todos os astros moram lá no alto.
Florbela Espanca, in "Diário do Último Ano"

Saber Terminar uma Amizade Indesejável


Saber Terminar uma Amizade Indesejável

   Sucede, também, como por calamidade, que algumas vezes é necessário romper uma amizade: porque passo agora das amizades dos sábios às ligações vulgares. Muitas vezes quando os vícios se revelam num homem, os seus amigos são as suas vítimas como todos os outros: contudo é sobre eles que recai a vergonha. É preciso, pois, desligar-se de tais amizades —, afrouxando o laço pouco a pouco e, como ouvi dizer a Catão, é necessário descoser antes que despedaçar, a menos que se não haja produzido um escândalo de tal modo intolerável, que não fosse nem justo nem honesto, nem mesmo possível, deixar de romper imediatamente. 

Mas se o carácter e os gostos vierem a mudar, o que acontece muitas vezes; se algum dissentimento político separar dois amigos (não falo mais, repito-o, das amizades dos sábios, mas das afeições vulgares), é preciso tomar cuidado em, desfazendo a amizade, não a substituir logo pelo ódio. Nada mais vergonhoso, com efeito, que estar em guerra com aquele que se amou por muito tempo. 

(...) Apliquemo-nos, pois, antes de tudo, em afastar toda a causa de ruptura: se contudo, acontecer alguma, que a amizade pareça antes extinta do que estrangulada. Temamos sobretudo que ela não se transforme em ódio violento, que traz sempre consigo as querelas, as injúrias, os ultrajes. Por nós, suportemos esses ultrajes quanto forem suportáveis e prestemos esta homenagem a uma antiga amizade, de modo que a culpa caiba a quem os faz e não àquele que os sofre. 
Mas o único meio de evitar e prevenir todos os aborrecimentos é não dar a nossa afeição nem muito depressa, nem a pessoas que não são dignas. 


São dignos da nossa amizade aqueles que trazem consigo os meios de se fazer amar. Homens raros! De resto, tudo que é bom é raro e nada é mais difícil do que achar alguma coisa que seja em seu gênero perfeita em tudo. Mas a maior parte dos homens não conhece nada de bom nas coisas humanas senão o que lhes interessa e tratam seus amigos como aos animais, estimando mais aqueles de quem esperam recolher mais proveito. 

Também são eles privados dessa amizade tão bela e tão natural, por si mesma tão desejável; e o seu coração não lhes faz compreender qual é a natureza e a grandeza de tal sentimento. Cada um ama-se a si mesmo, não para exigir prêmio da sua própria ternura, mas porque naturalmente a sua própria pessoa lhe é cara. Se não existe alguma coisa de semelhante na amizade, não se achará nunca um verdadeiro amigo; porque um amigo, é um outro nós mesmos. 


Se se vê nos animais aprisionados ou selvagens, habitantes do ar, da terra ou das águas, primeiro amarem-se a si mesmos (porque este sentimento é inato em toda a criatura), em seguida desejar e procurar seres da sua espécie, para se unir a eles (e, nessa procura mostram um afã e um ardor que não deixa de ser semelhante ao nosso amor), quanto mais essa dupla inclinação na natureza do homem que se ama a si próprio e que busca um outro homem, cuja alma se confunde de tal modo com a sua que de duas não faça mais de que uma. 

Marcus Cícero, in 'Diálogo sobre a Amizade'

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Tantor

Dia 12 de fevereiro perdi o Tantor... o único gato que chegou como presente de aniversário. Havia ficado tanto tempo dentro de uma gaiola que mal conseguia se equilibrar nas próprias pernas... levou um bom tempo para conseguir andar sem cair, devia ter uns 3 meses e era redondinho como um elefante, por isso o nome de Tantor - o elefante do Tarzan (da Disney).


Eu sempre quis ter um siamês... com aqueles olhos azuis do céu de inverno, limpos... os olhos do Tantor tinham manchas provocadas, talvez, por lesões de espinhos de plantas... nunca soube ao certo, nem o veterinário. O primeiro siamês que consegui comprei, foi a Fizzie, na loja da dona Maria, havia uma ninhada grande que foi se desfazendo com o tempo. No final só ficou o Tantor, ninguém queria, estava planejando comprar quando o ganhei.


 Logo aprendeu as artes e manias que o acompanhariam pela vida:


Abrir portas, não podia ver uma porta fechada que já tentava abrir, e conseguia mesmo já magrinho e sem muito peso...
Quando eu chegava em casa com ração ele já rasgava o saco com aqueles dentões afiados... com ou sem comida no potinho...
Nenhum gato herdou estas capacidades... esperavam que ele fizesse tudo sozinho! 


 Brigava sempre com a irmã - a Fizzie... uma perseguição sem fim, somente ela era a vítima... inexplicável!


 Teve seus momentos fujões... principalmente na casa da dona Celeste, fugia para o quintal com bosque e desaparecia por horas para meu desespero. Uma vez pulou um vão enorme da janela para o telhado vizinho, fazendo com que mantivéssemos todas as janelas sempre fechadas. Na casa da rua Direita fugia para o jardim da frente para tentar pegar os passarinhos... adorava tentar pegar gatos estranhos e persegui-los, mas somente quando eu não conseguia impedir. Uma vez pegou a porta destrancada, abriu-a e passou a noite toda fora, só percebi na manhã seguinte - lá estava ele esperando que eu a abrisse na maior cara de pau para o café da manhã!


À noite, dormia sobre minhas pernas quando ficava assistindo televisão, então... quando eu levantava me seguia miando sem parar cruzando minhas pernas até pegá-lo no colo e dar comida... Um malabarismo para não cair em cima dele, com risco de esmagá-lo...


Também adorava dormir sobre a televisão!

E também se esparramar sobre a gaiola da Snow quando ela era preparada para a noite... esquecia-se por lá... 


Todo momento em que tirava uma foto de um trabalho concluído ele corria para fazer parte da foto.


Adorava "amassar" trabalhos com lã, principalmente os que ainda estavam em execução. Ele se foi, mas, vários fios ficaram desfiados!


Nesta casa, com sacada, ele estava sempre dormindo no alpendre me esperando chegar; quando ouvia o barulho das chaves corria para me esperar subir as escadas ou ia direto para o portão dos fundos para me receber - sempre miando...


Tinha seus momentos carinhosos...


Mas o que ele gostava mesmo era de dormir agarradinho com outros gatos, principalmente os da geração dele... Felícia, Amora, Kiki, Naná, Pepe e Fox...

Amora, Tantor, Felícia, Fox e Pepe.
Todo inverno era assim...
Melhor amigo do Fox - brincavam o tempo todo, no segundo semestre do ano passado Tantor estava emagrecendo muito e um dos sintomas de que não estava bem era o fato de não estar mais brincando-brigando com o Fox, fez uma limpeza de tártaro que podia ser um dos motivos do emagrecimento - a gengivite, e depois tudo voltou ao normal: as brincadeiras recomeçaram...


Amora, Tantor, Naná
Siamês: único gato que quando começa a passar mal faz um barulho avisando... possibilitando a minha corrida para levá-lo a um lugar que não faria tanta sujeira...
O melhor gato para se dar remédio... só abrir a boca dele e colocar o comprimido. Não gostava, é claro, sabia quando era a hora e corria para se esconder, mas nada como o cheiro da comida para atraí-lo e lá ia comprimido goela abaixo...


15 anos de fiel companhia!


1999/2015

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O bom de 2014

Já estamos em fevereiro e somente agora farei um balanço de 2014, que não foi um ano particularmente bom. Perdi a Naná, assim, de repente. Tive péssimos alunos... sem perspectiva de futuro, cabeças vazias... almas vazias... Não li livros na quantidade que desejava... preocupações, desgostos e decepções demais... Uma luta constante para manter a saúde dos meus animais... 
Mas houve coisas boas... pequenas descobertas que trazem pequenas doses de felicidade... descobri George R.R. Martin, autor das Crônicas de Gelo e Fogo, escritor surpreendente... e também descobri Caro Emerald, cantora holandesa, magnífica!
Minha vida pode continuar um caos, mas estes dois iluminam meu caminho, um com a imaginação e a outra com a voz!



Por que gosto das séries inglesas...

Recentemente terminei de assistir a "The Fall".


É uma série inglesa, e como a maioria é um excelente trabalho. Gosto das séries inglesas. Primeiro porque é gostoso ouvir um sotaque diferente, acostumada como estou com o inglês norte-americano (sim, eu prefiro ler legendas). Elas são curtas, normalmente as temporadas tem começo, meio e fim... podem até se prolongar para uma segunda temporada, mas fios não ficam soltos. Eles não amenizam situações, há uma certa "crueldade", eles não tem dó de matar. Quando uma personagem está escalada para morrer as preliminares são curtas, necessárias somente para apresentá-la, mas os ingleses apresentam mais, contam sua história, seus sonhos, fazem com que gostemos da vítima e consequentemente torcemos pela sua salvação... isto não acontece, ela morre, cruelmente... e ficamos desolados.
Há outros aspectos nas séries ingleses (e europeias também), eles são mais realistas, não importa se não há glamour, mas apresentam os fatos como são. Numa cena de crime a equipe CSI não chega com o cabelo loiro ou cacheado balançando para contaminar a cena, nem entra com a roupa que chegou. Uma equipe CSI europeia utiliza macacões brancos, cabelos, olhos, bocas, pés - tudo devidamente coberto para não contaminar a cena do crime e em hipótese alguma outra pessoa entra na cena sem estar devidamente coberto. Nunca! Áreas enormes são isoladas e varridas com pente fino. Os ingleses não estão preocupados com moral, há sexo, cigarros (qualquer um fuma do mocinho ao bandido), violência...
A série tem como protagonista Gillian Anderson (ex Dana Scully - Arquivo X) irreconhecível, literalmente uma alpha. Assustador! E já está na segunda temporada. Pode haver uma terceira? Pode, há um gancho para a continuação... mas também pode terminar com um final digno! 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Como fazer farinha de casca de ovos para as plantas

Veja link abaixo;

http://www.jardimdasideias.com.br/968-como_fazer_farinha_de_casca_de_ovos_para_as_plantas

Vontade dos filhos...

Acredito que uma das coisas mais difíceis para os pais é não atender à vontade dos filhos, principalmente se estiver ligado à falta de recursos... Não que seja tão decepcionante, na verdade, o caráter é construído a partir destas faltas... Mas um pai ou uma mãe talvez não pense assim ao negar o que foi pedido, e pode ser o mal da atual geração que tem de ter de tudo porque os pais não conseguem negar...

Nina (4) e Tantor (15)
Eu não tive filhos, então não passei por estes problemas... mas tenho cachorros e gatos que são tratados como filhos, e tem tratamento melhores que muita criança: médico, alimentação de alta qualidade, remédios... Mas não são mimados com consumismo. Eu tenho o bom senso de perceber que a minha presença é mais importante do que um objeto caro para o qual eles nem ligam.

Lisa (15)

Todo o necessário para dar qualidade de vida a eles foi feito, num longo e difícil processo de aprendizado, hoje meus animais conseguem chegar a uma velhice saudável. 

Sookie (10)

Tirando a Felícia que nasceu em casa (mas ficou órfã com duas semanas de vida e adotada por uma poodle - a Meg) todos os outros foram abandonados e adotados por mim... 

Felícia (17)
Quando sou atacada pelas minhas crises depressivas, tento pensar neles e percebo que devo ter feito a diferença na vida deles. Se estão vivos ainda é porque houve quem os acolhesse.


Ultimamente ando pensando nas minhas plantas. Sei que elas sentem algo, fico arrasada quando alguma delas morre, mas não tenho este desespero que tenho com os animais. 


Às vezes consegue-se recuperar através de um galho que vai brotar novamente... mas eu tenho tantas plantas que não consigo dar a atenção necessária.

 

E elas estão morrendo... principalmente as orquídeas e não consigo parar este processo. Eu sei que elas não gostam da casa... uma busca constante por sol que não tem fim... inverno e verão locais diferentes porque o sol muda de lugar... é muito estresse...


Eu me sinto como uma mãe que não consegue dar o que é necessário ao filho. Minhas plantas precisam de uma constante: sol e ficar parada num mesmo lugar.



Elas tinham isso na outra casa, seis anos estacionadas no mesmo local as deixaram extremamente felizes... sol de manhã ou à tarde durante o ano todo.



É um milagre que algumas ainda conseguem florescer, em alguns momentos de privilégios...
  

Tão pouco para ser feliz e saudável: luz solar!


Perfume noturno!

As flores noturnas são tão imperceptíveis, que se não fosse o perfume liberado nem as notaríamos. 


Estas flores são da espada de são-jorge, quase não se percebe a sua existência porque ficam no nível do chão, não são coloridas confundido-se com as próprias folhas. 


Mas... quando a noite chega, elas começam a liberar um perfume tão inebriante, tão gostoso, às vezes cheguei a pensar que a vizinha estava usando algum produto perfumado, até perceber as flores próximas aos meus pés. 
Quem diria que a espada de são-jorge fosse capaz de produzir esta maravilha. Sempre tive esta planta em casa, desde criança, e só nos últimos anos vejo as flores. O que me é estranho, pois sempre percebo os perfumes noturnos, pois eles me fascinam... Pena que ainda não é possível capturar o perfume!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Sookie & Nina

Num dia de garoa em 2010, ao voltar para casa depois de ter votado, passei por uma caixa com 5 gatinhos com menos de um mês. A princípio não peguei a caixa, já tinha gatos suficientes, não precisava de mais, mas como deixar aqueles filhotes na chuva e no frio... Voltei e os peguei, já planejando levá-los para uma ONG, consegui que uma amiga adotasse uma (e veio a falecer dois meses depois)... e a ONG? esquece, ninguém quis pegar porque estão todas lotadas... Falsa propaganda!
Mas a Sookie, uma cachorrinha que resgatei da rua ao ser atropelada, um ano antes e por aqui ficou... adotou-os imediatamente. Mesmo sem leite, deixava que eles mamassem, limpava, cuidava e protegia...
Essa ligação entre eles continua até hoje, especialmente com a Nina e a Greta! 





+ Fernando Pessoa - Álvaro de Campos

"Porque a recompensa de não existir é estar sempre presente."


"Cristãos, pagãos, maometanos,
A qual de vós fará o Mistério a vontade?
A incerteza do que é a morte é o que nos vale na vida.
O desconhecimento do que é a morte é o sentido da vida.
O desconhecermos a morte é que faz a beleza da vida.


Quem sabe o valor exato de uma vida?
Sei que há uma vida, e que apagam essa vida - não sei é quem apaga
Mas sei que de cada vida que passa há um universo em mim."


"Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste,
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti."  


"Aproveitar o tempo!
Mas o que é o tempo, para que eu o aproveite?"


"Aproveitar o tempo!...
Ah, deixem-me não aproveitar nada!
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!
Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisas,
A poeira de uma estrada, involuntária e sozinha,
O regato casual das chuvas que vão acabando,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,
O pião do garoto, que vai a parar,
E oscila, no mesmo movimento que o da alma,
E cai, como caem os deuses no chão do Destino."


"O coração anda aos trambolhões.
Viver é desencontrar-se consigo mesmo."


"Hoje que tudo me falta, como se fosse o chão,
(...)
Tudo quanto tenho feito, conheço-o claramente: é nada.
Tudo quanto sonhei, podia tê-lo sonhado o moço de fretes.
Tudo quanto amei, se hoje me lembro que o amei, morreu há muito."


"Como é que eu sei qualquer coisa a respeito do que teria sido
Do que teria sido, que é o que nunca foi?"


"E a humanidade ama porque ama falar no amor."


"Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso."


"Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância."


"Temos todos duas vidas:
A verdadeira, que é a que sonhamos na infância,
E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa;
A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros,
Que é a prática, a útil,
Aquela em que acabam por nos meter num caixão."


"Não ter emoções, não ter desejos, não ter vontades,
Mas ser apenas, no ar sensível das coisas
Uma consciência abstrata com asas de pensamento."


"Mas eu não tenho problemas, tenho só mistérios.
Todos choram as minhas lágrimas, porque as minhas lágrimas são todos.
Todos sofrem no meu coração, porque o meu coração é tudo."


Partir!
Nunca voltarei,
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar a que se volta é sempre outro,
(...)
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia.


O que há em mim é sobretudo cansaço -
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.


"Ah, de que serve
A arte que quer ser vida, sem a vida que quer ser?
De que serve a arte se não é a arte que queremos?
De que nos serve a vida se a queremos e não a buscamos,
Se nunca é para nós a vida?"