Translate

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Vontade dos filhos...

Acredito que uma das coisas mais difíceis para os pais é não atender à vontade dos filhos, principalmente se estiver ligado à falta de recursos... Não que seja tão decepcionante, na verdade, o caráter é construído a partir destas faltas... Mas um pai ou uma mãe talvez não pense assim ao negar o que foi pedido, e pode ser o mal da atual geração que tem de ter de tudo porque os pais não conseguem negar...

Nina (4) e Tantor (15)
Eu não tive filhos, então não passei por estes problemas... mas tenho cachorros e gatos que são tratados como filhos, e tem tratamento melhores que muita criança: médico, alimentação de alta qualidade, remédios... Mas não são mimados com consumismo. Eu tenho o bom senso de perceber que a minha presença é mais importante do que um objeto caro para o qual eles nem ligam.

Lisa (15)

Todo o necessário para dar qualidade de vida a eles foi feito, num longo e difícil processo de aprendizado, hoje meus animais conseguem chegar a uma velhice saudável. 

Sookie (10)

Tirando a Felícia que nasceu em casa (mas ficou órfã com duas semanas de vida e adotada por uma poodle - a Meg) todos os outros foram abandonados e adotados por mim... 

Felícia (17)
Quando sou atacada pelas minhas crises depressivas, tento pensar neles e percebo que devo ter feito a diferença na vida deles. Se estão vivos ainda é porque houve quem os acolhesse.


Ultimamente ando pensando nas minhas plantas. Sei que elas sentem algo, fico arrasada quando alguma delas morre, mas não tenho este desespero que tenho com os animais. 


Às vezes consegue-se recuperar através de um galho que vai brotar novamente... mas eu tenho tantas plantas que não consigo dar a atenção necessária.

 

E elas estão morrendo... principalmente as orquídeas e não consigo parar este processo. Eu sei que elas não gostam da casa... uma busca constante por sol que não tem fim... inverno e verão locais diferentes porque o sol muda de lugar... é muito estresse...


Eu me sinto como uma mãe que não consegue dar o que é necessário ao filho. Minhas plantas precisam de uma constante: sol e ficar parada num mesmo lugar.



Elas tinham isso na outra casa, seis anos estacionadas no mesmo local as deixaram extremamente felizes... sol de manhã ou à tarde durante o ano todo.



É um milagre que algumas ainda conseguem florescer, em alguns momentos de privilégios...
  

Tão pouco para ser feliz e saudável: luz solar!


Perfume noturno!

As flores noturnas são tão imperceptíveis, que se não fosse o perfume liberado nem as notaríamos. 


Estas flores são da espada de são-jorge, quase não se percebe a sua existência porque ficam no nível do chão, não são coloridas confundido-se com as próprias folhas. 


Mas... quando a noite chega, elas começam a liberar um perfume tão inebriante, tão gostoso, às vezes cheguei a pensar que a vizinha estava usando algum produto perfumado, até perceber as flores próximas aos meus pés. 
Quem diria que a espada de são-jorge fosse capaz de produzir esta maravilha. Sempre tive esta planta em casa, desde criança, e só nos últimos anos vejo as flores. O que me é estranho, pois sempre percebo os perfumes noturnos, pois eles me fascinam... Pena que ainda não é possível capturar o perfume!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Sookie & Nina

Num dia de garoa em 2010, ao voltar para casa depois de ter votado, passei por uma caixa com 5 gatinhos com menos de um mês. A princípio não peguei a caixa, já tinha gatos suficientes, não precisava de mais, mas como deixar aqueles filhotes na chuva e no frio... Voltei e os peguei, já planejando levá-los para uma ONG, consegui que uma amiga adotasse uma (e veio a falecer dois meses depois)... e a ONG? esquece, ninguém quis pegar porque estão todas lotadas... Falsa propaganda!
Mas a Sookie, uma cachorrinha que resgatei da rua ao ser atropelada, um ano antes e por aqui ficou... adotou-os imediatamente. Mesmo sem leite, deixava que eles mamassem, limpava, cuidava e protegia...
Essa ligação entre eles continua até hoje, especialmente com a Nina e a Greta! 





+ Fernando Pessoa - Álvaro de Campos

"Porque a recompensa de não existir é estar sempre presente."


"Cristãos, pagãos, maometanos,
A qual de vós fará o Mistério a vontade?
A incerteza do que é a morte é o que nos vale na vida.
O desconhecimento do que é a morte é o sentido da vida.
O desconhecermos a morte é que faz a beleza da vida.


Quem sabe o valor exato de uma vida?
Sei que há uma vida, e que apagam essa vida - não sei é quem apaga
Mas sei que de cada vida que passa há um universo em mim."


"Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste,
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti."  


"Aproveitar o tempo!
Mas o que é o tempo, para que eu o aproveite?"


"Aproveitar o tempo!...
Ah, deixem-me não aproveitar nada!
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!
Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisas,
A poeira de uma estrada, involuntária e sozinha,
O regato casual das chuvas que vão acabando,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,
O pião do garoto, que vai a parar,
E oscila, no mesmo movimento que o da alma,
E cai, como caem os deuses no chão do Destino."


"O coração anda aos trambolhões.
Viver é desencontrar-se consigo mesmo."


"Hoje que tudo me falta, como se fosse o chão,
(...)
Tudo quanto tenho feito, conheço-o claramente: é nada.
Tudo quanto sonhei, podia tê-lo sonhado o moço de fretes.
Tudo quanto amei, se hoje me lembro que o amei, morreu há muito."


"Como é que eu sei qualquer coisa a respeito do que teria sido
Do que teria sido, que é o que nunca foi?"


"E a humanidade ama porque ama falar no amor."


"Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso."


"Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância."


"Temos todos duas vidas:
A verdadeira, que é a que sonhamos na infância,
E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa;
A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros,
Que é a prática, a útil,
Aquela em que acabam por nos meter num caixão."


"Não ter emoções, não ter desejos, não ter vontades,
Mas ser apenas, no ar sensível das coisas
Uma consciência abstrata com asas de pensamento."


"Mas eu não tenho problemas, tenho só mistérios.
Todos choram as minhas lágrimas, porque as minhas lágrimas são todos.
Todos sofrem no meu coração, porque o meu coração é tudo."


Partir!
Nunca voltarei,
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar a que se volta é sempre outro,
(...)
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia.


O que há em mim é sobretudo cansaço -
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.


"Ah, de que serve
A arte que quer ser vida, sem a vida que quer ser?
De que serve a arte se não é a arte que queremos?
De que nos serve a vida se a queremos e não a buscamos,
Se nunca é para nós a vida?"




Orquídeas da Aurora hospedadas em casa

Enquanto a Aurora não se estabelece, suas orquídeas ficarão em casa. Acostumadas a situações adversas, aqui em casa muitas floriram, não sei se é bom ou não, porque dizem que tanta flor é sinal de estresse... Não sei!








domingo, 27 de julho de 2014

Jardim!


Todo jardim...
começa com uma história de amor...
Antes que qualquer árvore seja plantada
ou um lago construído...
é preciso que eles tenham nascido dentro da alma...
Quem não planta jardim por dentro...
Não planta jardins por fora
e nem passeia por eles...
                                                    Rubem Alves





Sookie e Nina


As pessoas são o que elas amam!
                                                                  Rubem Alves

Rubem Alves

Nina 
É isto que amamos nos outros: o lugar vazio que eles abrem para que ali cresçam as nossas fantasias.
Buscamos, no outro, não a sabedoria do conselho, mas o silêncio da escuta; não a solidez do músculo, mas o colo que acolhe...
Como seria bom se as outras pessoas fossem vazias como o céu, e não tão cheias de palavras, de ordens, de certezas.
Só podemos amar as pessoas que se parecem com o céu, onde podemos fazer voar nossas fantasias como se fossem pipas.
Rubem Alves

domingo, 13 de julho de 2014

Naná


A Naná veio para minha casa no segundo semestre de 1999. Estava eu no pet shop comprando comida e havia uma ninhada de siameses à venda. Eu sempre quis um siamês, e não resisti e comprei um. No mesmo momento entrou um garoto na loja que queria muito um gatinho, e percebi que a mãe ficou sem graça em dizer não porque várias pessoas estavam olhando. Mas ela não queria pagar por um gato. Então, uma senhora que estava por perto disse que tinha uma gata para doação, que ela não poderia ficar porque já tinha 3 adultos, era uma gata muito boazinha que gostava de dormir na cama, com pelagem negra, por isso recebeu o nome de Naná (empregada negra de uma das novelas sobre italianos, talvez Terra Nostra). Percebi que a mulher não queria pegar a gata, mas ficou sem jeito, a criança queria um gato e ela não queria pagar, então não tinha como negar já que estaria ganhando um. Ela pegou por obrigação, para não ficar chato. Na hora, quase falei que ficaria com a gata, mas calei-me, se falasse algo aí sim ela levaria a gata por desaforo. 


Isso foi no sábado. Na segunda feira passando na frente da loja quem eu vejo numa gaiola, a Naná. A mulher devolveu alegando um monte de desculpas. Sabia que faria isto. 
Então eu adotei a Naná. Seu Edson a levou para casa e foi aquele rebu, afinal os outros não gostaram muito de uma cara nova. Ela já estava meio grandinha e foi uma adaptação mais difícil: gatos mais velhos, cachorros... mas tudo deu certo, ela se integrou totalmente.
O que me levou a uma lição: em casa só entra filhotes com menos de 3 meses, o estresse e a adaptação é mais fácil.


A casa tinha um quintal enorme e a Naná sempre fugia para a casa da velha assassina, deixando-me desesperada, ficava sempre no muro chamando por ela, enquanto ela se escondia no mato. 
Para prendê-la dentro de casa outro sufoco. Toda vez que chegava perto para capturá-la ela fugia. Então eu sentava no poço, ficava lendo, olhando a paisagem como quem não quer nada... aí ela vinha se aproximando para um cafuné... até conseguir pegá-la. Era um processo demorado. Qualquer vacilo ela corria pelo quintal e ficava brincando de pega-pega. 


A pelagem perdeu o negro e ficou diferente: o interior ficou branco e o exterior preto, de pelo longo.
Mudanças de casas... fim dos grandes quintais... confinamento... ela ficou mais calma. Na rua Direita, no início, ela tinha o hábito de escalar o portão e ficar na parte da frente de jardim. Mas até isto parou com o tempo. 
Continuou gostando de dormir na cama: ou deitava sobre minhas coxas quando eu tirava um cochilo, ou dormia no vão das pernas. Ou quando gostava de compartilhar o travesseiro com minha cabeça à noite inteira.
Adorava conversar... 
Extremamente carinhosa...
Mas preferia o isolamento dos outros gatos. 


Mas eu ainda cometo meus erros. Não percebi o emagrecimento repentino, não percebi a falta de apetite... e com os gatos o mal vem rápido e galopante, um mínimo erro e é fatal e invariavelmente irreversível. E foi o que aconteceu com ela. 
Faleceu no dia 25 de abril, aos 15 anos, de insuficiência renal. 
Esperou que eu chegasse em casa para dar o último suspiro!

Fernando Pessoa


Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar-entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.