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domingo, 21 de outubro de 2018

Marta


Marta


E lá se vai dez anos sem a presença dela...
Dez anos de um vazio que não se preenche...
Vazios que insistem em serem permanentes...


Vazios carregados de tristeza por uma vida que se foi cedo demais, com tantas esperanças, projetos e sonhos a realizar...


Vazios incompreensíveis...
Vazios carregados de saudades...


Um elo de 8 peças que se rompeu... 



... cuja união será impossível...



... e a esperança de que pode haver outra vida...
... com novos caminhos...
... novos sonhos a se realizar...


... e que um bom caminho esteja sendo traçado, 
lá no além...




* 4/3/1966
✝️ 19/10/2008


domingo, 3 de junho de 2018

Kiki

Kiki
19/01/2002 - 31/05/2018


A Kiki foi jogada no meu quintal à noite. O Toffee a encontrou no meio do jardim, apavorada com aquele cachorrão. Ele não atacava, ficava latindo para avisar que havia algo no meio das plantas. Tinha uns quatro meses. Foi colocada para dentro de casa e aí permaneceu até os últimos dias.


Tentei doar, mas ninguém quis, nem mesmo o pet shop que já estava com muitos gatinhos para doação. Então ela ficou... O nome veio de uma personagem da novela o Cravo e a Rosa.


Uma gatinha briguenta, batia sem dó nos outros gatos... com lindos e enormes olhos esverdeados...


Tinha um time perfeito para saber quando chegava a hora de tomar remédio, disparava para se esconder debaixo da cama, como se isso fosse me impedir...


Disputava meu colo com a Fizzie, e disputavam os locais para dormir, como em cima de estabilizador. Depois que a Fizzie partiu não tinha mais graça dormir naqueles locais...


Mas, adorava meu colo... 
E adorava dormir nas minhas costelas, principalmente quando eu tirava meu cochilo da tarde, eu gosto de dormir de lado e ela subia e se aninhava em mim.


De manhã, entendia o que significava o despertador... corria para o meu lado, postava-se próxima às minhas mãos e ficava exigindo cafuné na cabeça, nas orelhas, no pescoço...


No sofá... pegou o hábito de subir pelo meu peito... tocar no meu queixo e pedir carinho... e se desmanchava feliz...


Sempre foi gordinha... e o emagrecimento que evidencia inícios de doença não foi percebido... porque 16 anos pode parecer muito, mas passou tão rápido... parece que foi ontem que ela foi descoberta no jardim... então perco a noção do tempo, e não racionalizo como deveria... não racionalizo que ela já era idosa.
Os rins começaram a falhar e é um processo irreversível... mesmo assim, demorou um pouco para finalizar...  


Não era muito íntima dos outros gatos, mas a Greta a conquistou e volta e meia estavam sempre dormindo juntas...
Nas últimas semanas apegou-se ao Fox - o último idoso que sobrou - ficavam os dois dormindo juntinhos embaixo da cama. Nos últimos dias, Fox aquecia-a, porque ela já estava muito fraca e com muito frio.


Ele ainda a procura pela casa...















































sábado, 2 de junho de 2018

Babi

BABI
22/09/2002 - 05/01/2018


Dia de chuva e frio, de repente, no ponto de ônibus, uns sons de miados... procuro e encontro dois gatinhos pretos tentando se esconder na roda de um carro em busca de calor.
Tirei da rua, coloquei perto de um portão e fui trabalhar. E não parei de pensar neles, devia ter deixado no pet shop, ali perto. O inquilino que mora dentro da minha cabeça começou a me incomodar, então na hora do almoço voltei para o ponto de ônibus para ver o que tinha sido feito dos gatinhos (ainda trabalhava no Brito - Vila Yara), e encontrei eles procurando pelo calor de um carro. Depois de muito custo consegui pegá-los e levei-os para casa. 


Mas, eu já estava atrasada, então coloquei-os dentro de um caixote de madeira bem alto e fui trabalhar. Voltei à noite e enquanto abria o portão uma moça vem ao me encontro, angustiada, porque viu dois gatinhos fugindo da minha casa e não conseguiu pegá-los.
Tudo bem, disse eu. Já tinha gatos demais e não estava ansiosa para mais e teria que doá-los. Mas, a moça insistiu em procurá-los, e lá fomos nós olhar debaixo dos carros... e encontramos, novamente em cima de uma roda tentando se aquecer. 


Estavam imundos de graxa: uma fêmea parecendo uma bolinha de pelos preta e um macho (o Fox) preto comum. Dei um banho para tirar toda aquela sujeira. No dia seguinte procurei o pet shop e para minha surpresa três ninhadas de gatinhos tinham sido colocados na frente da loja no dia anterior e eles não tinham condições de pegar mais. Então, eles ficaram. Tentei doar, todos queriam a fêmea bonitinha, peludinha. Ninguém queria o macho. Então estipulei que seriam adotados juntos. Estavam juntos na rua, fugiram juntos, se protegiam juntos, não seriam separados. Assim, ninguém quis e eles ficaram comigo. Isso foi há 16 anos atrás. 


Eram tão pequenininhos que passavam pelo vão da porta. Deviam ter no máximo, dois meses. 
Não sei como começou... mas a Babi tinha um medo absurdo de estranhos. Qualquer barulho ou pessoa que aparecesse em casa ela corria a se esconder. E como era difícil encontrá-la depois. Ela entrava por baixo dos cobertores ou da colcha e se esparramava de forma que ficava quase invisível. Quantas vezes escapou de morrer com a cabeça esmagada porque não se via ela na cama e quase sentava na cabeça dela.


Esse medo se intensificou quando um dia, ao tentar 'roubar' a comida do Toffee, ele abocanhou a cabeça dela e produziu uns ferimentos bem feios, o veterinário precisou ir em casa (já era noite) e a levou para examinar melhor os ferimentos. Não foi nada profundo, mas o trauma ficou. Pessoas da família nem a conheciam.


A partir dos 10 anos ela precisou ser tosada, o pelo cresceu tanto - e ela não deixava pentear - que formou dreads. Às vezes, eu cortava as pelotas que se formavam, mas ficava um serviço muito mal feito. Para ser tosada tinha que ser sedada. Fez três tosas, depois já estava em uma idade em que a anestesia passou a ser perigosa.


A partir do ano retrasado, quando ficava estressada ou ansiosa pela presença de estranhos começava a ofegar, não respirava direito. Sair de casa, nem pensar, passava mal do mesmo jeito, até o veterinário ficava assustado.


No mês de abril de 2017, estava muito magra e a levei para os exames de rotina, 15 anos, já era para ficar preocupada com o estado de saúde, mas os resultados foram normais. Aparentemente não havia nada de errado. Duas semanas depois voltou com dificuldade para respirar. Água envolvia o pulmão. Fez uma punção a frio, pois uma anestesia provocaria uma parada cardíaca fulminante. Os exames posteriores foram negativos para a busca de um tumor, mas, apareceu um pequeno problema no coração. Começou um tratamento para 'secar' a água que envolvia o pulmão...  


Em outubro foi confirmado um tumor de mama, mas não era maligno pois não se espalhou. 


No final de dezembro, não morreu esmagada pela queda do portão de tela por pouco. Estava sempre deitada naquele lugar para beber água, e naquele dia eu a tranquei dentro de casa. Momentos depois o Mac derruba a tela estragando várias plantas. 


Logo após o ano novo, sem nenhum aviso, nenhuma ocorrência estranha ela passa mal no final da noite. Começa a espirrar sangue... e de manhã mal consegue respirar. 
... e assim, tão de repente... ela se vai... sem se saber direito o que ela tinha ou teve. 


Fizzie


FIZZIE
(3/8/99 - 7/10/17)


Foi a única dentre os felinos que não foi abandonada e depois adotada. Única vez que comprei um pet. 



Sempre quis um siamês, e lá estava ela numa grande ninhada de gatinhos siameses... e não resisti, peguei uma (um mês depois ganho de presente o irmão que havia sobrado - Tantor). 


E finalmente uma siamesa fez parte da minha "coleção" de gatinhos, com seus intensos olhos azuis.


No princípio era uma gatinha muito elétrica e terminou ganhando como nome o apelido de uma colega da faculdade - Fizzie. 


Foi uma gatinha mignon, não cresceu muito, não engordou... uma eterna filhote. Quando filhote, tinha o hábito de dormir nos meus pés - eu dormia na parte de cima de um beliche - e segundo relatos eu terminava chutando ela, que voava batendo na porta do guarda-roupa... evento que se repetiu inúmeras vezes... será que foi isso que a impediu de crescer?


Esta é a única foto em que ela está acompanhada de outro gato, provavelmente não percebeu a invasão do espaço.
Não sei quando começou... mas ela não se reconhecia como gata, não gostava de nenhum gato perto dela (principalmente o irmão)... e foi assim até os últimos momentos... também não se reconhecia como cachorro... não gostava deles perto dela.


Ela se reconhecia como gente... tinha altas conversas comigo... encasquetava em conversas sem fim... e eu concordando e respondendo! E assim foi o mundo dela - cercada de gatos e cachorros por todos os lados e só querendo o contato humano.
Não podia me ver sentada e lá vinha para o colo!


Ainda, quando filhote e tinha toda aquela energia, um dia, aproveitando que todos estavam trabalhando, ela fez um buraco na porta do banheiro e conseguiu fugir pela janela... quando cheguei em casa encontrei uma carnificina... ela matou nove rolinhas - sozinha.


Tinha o dom de cair sempre que dormia - não importa onde, ia escorregando, escorregando até cair, o que era um perigo quando dormia em cima do estabilizador que fica na parte mais alta da escrivaninha... e de repente, ouvia aquele estrondo e coisas caindo... era a Fizzie caindo do alto. 


Não sei como nunca se machucou gravemente... levantava cambaleando até se aprumar novamente. E sim, ela caiu quando estava dormindo na foto abaixo.


Quando chegou os catorze anos descobri que já estava começando a desenvolver problemas renais e então tratei de começar com a homeopatia... e no final, aos dezoito anos o fígado a levou de forma tão rápida e inacreditável. Um dia chego em casa e ela está miando muito, reclamando de algo que está errado. E eu, estava tão cansada, querendo dormir um pouco, mas, os miados não deixaram e corri ao veterinário para ter a chocante notícia sobre o fígado. Os olhos já estavam totalmente amarelos. Era o fim!
No veterinário já tem o primeiro mal estar quando recebe soro com medicação...
Faleceu 48 horas depois do diagnóstico, assim de repente, no início da madrugada. Só resta o consolo de que não foi um longo tempo de sofrimento...
E... eu perdi minha amiguinha que tinha longas conversas comigo e corria para o meu colo assim que eu sentava em frente ao computador... Dezoito anos... uma longa vida, mas para mim muito rápida!













































segunda-feira, 30 de abril de 2018

Rosely Francisco

Às vezes, temos alguém, que de tanto ter, não damos a devida importância.
As coisas mudam, o tempo passa... e o que temos agora? Somente a lembrança...



Setembro do ano passado a Rosely partiu... de forma tão inesperada e brutal que até hoje é difícil acreditar que realmente aconteceu. 
Sete meses foram necessários para escrever sobre ela e ainda dói saber que ela não está mais presente. 
Alguém, como eu, que estava desesperada para aposentar (e seria neste mês - de abril, que ela começaria a dar entrada na papelada), ter o devido descanso para seguir novos rumos, longe do intenso estresse que é trabalhar com alunos da rede pública.
Uma trabalhadora incansável, sempre correndo e controlando para ter tudo em dia... falando tão "baixinho" que a escola toda ouvia as broncas que os alunos levavam.
Uma pessoa que aprendeu mais na Coordenação do que na sala de aula - que foi amadurecendo, porque uma coisa é só trabalhar com aluno, outra é trabalhar com os pais, os professores, supervisores, equipe gestora - um serviço altamente desgastante.
E ela já não aguentava mais! 
Já não aguentava as ameaças que sofria por fazer direito e honestamente o seu serviço.
Os que estavam muito próximos a ela sabiam e compreendiam a agonia pela qual ela passava.
Quem realmente a conhecia sabia da artista talentosa que era - nos artesanatos e no crochê - trabalhos realizados com perfeição e invejável rapidez...
Para mim... é doloroso demais ver que este talento se foi, que não verei mais nada feito por ela, que não há mais a quem mostrar as novidades que aparecem - é um imenso vazio que não se preenche.
2017 veio com uma série de problemas de saúde para a Rosely, problemas que aumentavam e ficavam cada vez mais sérios acompanhados, também, por uma série de erros até que finalmente venceram e a levaram.
Às vezes, fico a imaginar... e agora? o quão desesperada ela ficou ao ter consciência de que partiu (sei que ela acredita no espiritismo) ou ela cansou de lutar e se deixou levar... Será? duvido, porque ela não deixaria a filha assim. 
A filha - Aimee, foi a primeira vez que vi um amor tão incondicional, tudo era para ela e em função dela. Uma intensa e constante preocupação pela felicidade da filha. Hoje, vejo outros casos, mas na época em que conheci a Rosely - esse amor era único. Nem estava acostumada a ver uma relação tão forte assim. A mesma relação pela família, sempre ajudando, correndo para resolver problemas - uma ligação forte demais não só com os pais, irmãs, mas também pelos tios e primos. Eram muito unidos, em tudo... aniversários, Natais, férias... todos juntos.
Foram 14 anos de amizade e convivência - efetivamos juntas no Estado, na mesma escola. Eu já estava lá quando ela chegou... e naquela época ela já estava com o Gustavo, eterno companheiro que a ajudou nos piores momentos...
Eu nunca fui de demonstrar o quanto gosto das pessoas, esse meu gostar não fica registrado em falas, fica registrado em ações, em ajudar sem ser necessário pedir. Palavras normalmente são falsas e vãs, é fácil falar e mais fácil ainda mentir - já presenciei demais disso... difícil é agir, fazer algo para ajudar sem a necessidade de um pedido, sem esperar por um reconhecimento.
Foi assim que demonstrei meu carinho e meu respeito pelo trabalho dela. Principalmente ano passado quando era visível que ela precisava de ajuda. 
Eu espero que a Aimee e o Gustavo estejam bem, apoiando-se mutualmente, assim como todos da família.
Às vezes, questionamos se nossa existência valeu à pena, se fizemos diferença... no caso da Rosely fez: ao fazer o trabalho com competência, ao ajudar aos alunos (e muitas vezes eles nem tinham consciência do quanto ela lutava por eles), ao amar incondicionalmente a filha e a família! 
Foi uma vida curta mas vivida plenamente com amor!
Que isto a mantenha em paz!


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Família do coração - uma homenagem aos Mori

Algumas pessoas marcam nossas vidas de forma intensa, às vezes, a família inteira marca nossas vidas.
Eu tive o privilégio de ter uma família assim... uma família do coração...
Primeiro, foi a Rosely quem entrou na minha vida. Fizemos o Ensino Médio juntas, no Ceneart, ainda tinha no grupo a Hilda, a Nadir e a Rosana - estas nunca mais tivemos notícias, a vida tratou de dispersá-las. Fomos separadas no segundo ano e ficamos juntas novamente no terceiro. Era a única que já sabia com que iria trabalhar e levou o sonho até o final - desenhar. Naquela época não havia tantas opções como tem hoje e nem informações tão claras, ela foi para a área de publicidade, talvez acreditando que a profissão era igual ao marido da Feiticeira, que era desenhista, só que publicidade não é mais assim. 
Mas, ela não desistiu e fez curso de desenho, terminou o faculdade de publicidade e foi trabalhar em agências no setor de arte.  Realizou o sonho! 
Porque se tem algo que a Rosely consegue fazer é manter o foco nos seus desejos e realizá-los.  
Já, há alguns alguns anos, ela saiu da publicidade... não atendia mais aos seus anseios, o estresse já estava gerando frutos nocivos para a saúde. Voltou-se para a ilustração infantil e parece que está feliz neste novo caminho.

 Mas, voltando ao colegial... quando terminamos os estudos continuei mantendo contato. Manter amizades dá trabalho, é necessário reservar um tempo para escrever cartas (era assim nos anos 80), lembrar dos aniversários e Natais e pelo menos, mandar um cartão, e principalmente reservar um tempo para visitar os amigos, contar as novidades olhando para a pessoa, rindo das alegrias ou chorando as mágoas, ter um ombro amigo. Não existe superficialidade nas relações, porque ao visitar estamos dispondo de um tempo que torna-se precioso pelo contato, evidencia-se o carinho e o gostar de alguém!
E sempre trocávamos cartas, cartões de Natal e aniversários (e ela faz cartões maravilhosos) e sempre havia as visitas!

Houve momentos de maiores afastamentos: trabalho e faculdade sufocavam nosso tempo, mas... algum tipo de contato sempre permanecia.
Nos anos 80, os pais seu Masao e Darcy começaram a me chamar para os piqueniques e passeios...



No fim de semana planejavam um passeio: às vezes uma praia, e foi assim que conheci Ilha Bela, Ubatuba... e na hora do almoço montavam o piquenique; 


... outras vezes, Campos do Jordão, um lugar lindo e apaixonante...


... outras... Poços de Caldas... mais lindo ainda...
todos com um almoço pronto...

Foram os melhores dias da minha vida!


Eu, meio que fui adotada por eles, pessoas maravilhosas que sempre me receberam com muito carinho e que me ajudaram em momentos difíceis da minha vida.
E por quem minha mãe tinha muito respeito e carinho porque ela sempre valorizou aqueles que cuidavam bem de seus filhos, mesmo que ela quase não houvesse contato.


Também tem o irmão, Marcos, que nunca aparece nas fotos porque era muito raro encontrá-lo... com uma carreira muito mais atribulada e desde o início da minha amizade já estava indo para a faculdade de Medicina - era impossível vê-lo.


Mais tarde juntou-se a cunhada, Flora, uma pessoa de incrível bom humor; o Daniel - marido da Rosely; e o João - o neto do coração.
Hoje, o Marcos partiu para novos caminhos em outro estado, outra família e uma filha - que não conheço.


Hoje, o seu Masao não está mais entre nós... Partiu ano passado e sobreviveu por tanto tempo doente graças à dedicação da esposa e da filha, que agora é freelance e pode se dar ao luxo de dedicar um tempo maior em cuidar, antes do pai e agora da mãe.


Este ano completamos 40 anos de amizade!
Anos de muito carinho!

nov 2017- Parque da Água Branca

E agora espero poder ter mais tempo para passar com elas!

10/12/2017 - comemorando meu aniversário na Paulista
Obrigada por tudo!