Translate

domingo, 22 de maio de 2016

Felícia


No dia 29 de maio perdi a Felícia! 18 anos 7 meses e 24 dias!


A Felícia nasceu em casa... depois dela todos os gatos que tive e tenho ou foram jogados no meu quintal ou encontrei na rua.


Com duas semanas de vida ela perdeu a mãe, que saiu para dar um passeio e não voltou. Provavelmente algum vizinho a matou. 
Era a Felícia, mais três irmãos: a Amora que faleceu quatro anos atrás, a Zazá que perdi antes de completar um ano: também foi dar um passeio e não voltou, e o Jedi que perdi uma semana depois de castrá-lo... foi dar um passeio no quintal e provavelmente a vizinha deu um fim nele ao se aventurar no espaço dela.


Depois de perder o Jedi tomei uma decisão radical... prendi os gatos dentro de casa, não saiam mais, quando saiam era com cerrada vigilância para não irem para a casa da vizinha. Cansei de perdê-los desta forma... ficava desesperada procurando por eles, revirava até sacos de lixo para ver se encontrava os corpos deles. Nada. Sumiam!
Assim nunca mais perdi um gato para vizinho. 
Agora perco-os para a velhice.


Assim que a mãe da Felícia não voltou, a Meg, a minha primeira cachorrinha, uma poodle, que sofria de carência maternal, entrou dentro da caixa dos gatinhos e adotou-os... imediatamente, deixava que eles mamassem mesmo não tendo leite. 
Em 1997 não havia toda essa tecnologia que tem hoje, mamadeiras para filhotes, leite específico para gatos...
Eles foram alimentados com leite para recém nascido até começarem a comer sozinhos. e a Meg cuidou deles zelosamente!


A Felícia mamou até os dois, três anos... até a Meg começar a ficar doente... Ficava horas amassando a barriga da mãe e depois mamava (era como se fosse adepta da chupeta porque não havia leite). Acredito que criou uma crise de identidade: ela e a Amora achavam-se cachorros.

Felícia e Amora

A Felícia foi batizada com este nome por causa da personagem da Turma do Pernalonga... aquela menina que abraça, aperta até sufocar os bichinhos.
A Felícia era tão fofinha, uma bolinha de pelos colorida que dava vontade de apertar, abraçar... de não largar mais... Foi um nome que se encaixou perfeitamente!
Felícia, Tantor e Amora (já falecidos); Fox, Olívia e Nina
Quando pequena entrou numa gaveta que havia deixado aberta, não percebi... fechei a gaveta, fui trabalhar... seis horas depois volto e ouço aquele miado longe, insistente... até perceber que vinha da gaveta e encontrá-la lá desesperada.
Nunca mais entrou dentro de uma gaveta.


Quando ela tinha um ano mudamos para uma casa com quintal enorme, cheio de árvores e que provavelmente estava vazia há algum tempo porque havia muitos ninhos de passarinhos nas árvores. A Felícia foi uma das que fez uma carnificina no quintal, destruiu todos os ninhos. Depois descobriu que tinha mais no telhado, subiu lá e dizimou todos os ninhos. Um verdadeiro massacre.
A princípio, nesta casa, até dava umas voltas na casa da vizinha assassina, mas voltava quando chamada, depois que os passeios passaram a ser controlados ficava no seu próprio quintal... o tempo das aventuras findaram...


Gostava mesmo de dormir... o dia inteiro... levantava para comer e já ia procurar um canto quentinho para dormir.


De preferência dormir em grupo... é mais gostoso e mais quente!



Ou um vaso ao sol...
(as melhores fotos são dela ao sol dentro de um vaso)


Sempre gastei muito com ração... então um dia, anos atrás... a Dona Maria, dona do pet shop, me indicou uma ração de 7 reais, de excelente qualidade, segundo ela. Levei para experimentar...


Foram os 7 reais mais caros da minha vida. 
Não demorou muito, a Felícia, para mostrar que algo estava errado, parava na minha frente e fazia uma gota de xixi, a princípio não entendia o que estava acontecendo, até que começou a sair sangue.


Lá vai eu correndo para o veterinário... lembro que já era noite (naquela época o dr. Marcelo ainda atendia mais tarde) e o diagnóstico foi pedra nos rins. 
Os 7 reais se transformaram em consultas, antibióticos, anti-inflamatórios e ração específica para evitar pedras (uma das mais caras)... 


Anos depois, achando que ela já estava curada, cometi o mesmo erro... e tudo voltou... igualzinho...
Ela parava aos meus pés e fazia uma gotinha e xixi...
Lá vai eu correndo de novo ao médico...
E o mesmo diagnóstico...
E nunca mais ração barata no cardápio!
Finalmente aprendi que quanto mais cara a ração menos gasto no veterinário!


Ano passado foi o ano das artes... 
Ela decidiu que o sofá era o lugar perfeito para fazer xixi e fez dali o seu banheiro. E não tinha como fazê-la parar (dizem que gatos idosos podem ter algo parecido com Alzheimer - pode ter sido por isso). Foi preciso adaptar colocando tapete higiênico. 
Até que um dia... quando eu tinha acabado de limpar tudo ela fez sujeira... dei uma bronca tão grande e ela ficou me olhando com total incompreensão e de repente foi como se ela tivesse um vislumbre de que o que fazia era errado, saiu correndo e parou de fazer xixi no sofá)!


E quando ela começava a miar desesperadamente... eu saia correndo para ver o que estava acontecendo e ela me olhava e é como se falasse: eu quero carinho... faz cafuné! No meio da noite, durante o dia... não tinha hora.
Também fazia isso quando eu ia desligar a televisão... levantava da sua zona de conforto e começava a miar... não esquece de me fazer carinho!!!


Quando ela estava com quinze anos achei melhor fazer um hemograma para não ter surpresas desagradáveis mais tarde.
Ela já estava desenvolvendo falência renal, problema típico em gatos. Ainda estava no início, então comecei com homeopatia que já havia dado certo no Teddy.
Não sei até que ponto o remédio fez efeito. Não voltei a fazer outro hemograma, judia muito do animal, precisa tirar sangue do pescoço. Mas ela continuou por mais três anos.


Todo início de ano eu ficava imaginando se seria o último dela. 
Afinal, 16 anos é a média máxima aqui em casa.
O Teddy tinha ultrapassado com 17, mas somente ele.


Vomitou, teve diarreia, tossiu, nariz congestionado... tudo era uma correria para o médico. Cuidados e mais cuidados!


Mas... ela foi começando a emagrecer... cada vez mais e mais.
Em janeiro deste ano era só pele e osso.
Neste mês começou a comer compulsivamente, poderia ser hipertireoidismo - mas para que ter certeza se é evidente o fim?


Não podia me ver indo para a cozinha que já se postava em frente à geladeira para que eu pudesse dar comida e quando a abria até tentava entrar. E não podia ser comida velha, tinha que ser patê e em lata recém aberta. E de preferência sabores novos. Praticamente a Cobasi me via quase todos os dias atrás de comida nova, e cada uma mais cara que a outra.


Mesmo muito debilitada estava atrás de mim para que eu abrisse a geladeira, necessário o maior cuidado para não pisar nela.
Continuou comendo mesmo quando parou de beber água (não conseguia mais)... o que prolongou um pouco mais o seu tempo.
Aguentou a insuportável onda de calor, mas foi vencida pelo frio. Faleceu no segundo dia de inverno polar que nos atacou. Mesmo tentando mantê-la aquecida ela não resistiu!


Ainda não me acostumei com o vazio deixado no sofá! 
Da procura pelo calor do meu colo!


5/9/1997 - 29/4/16

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Orquídeas de janeiro 2016

Este mês de janeiro foi especial... de repente várias orquídeas decidiram florescer... 




Lc. Nobile's Honey

Lc. Nobile's Honey

Blc Nobiles Blush 
Hoje não!
Amanhã eu fico triste...
Amanhã! Hoje não.
Hoje eu fico alegre!
E todos os dias por mais amargos que sejam eu digo:
- Amanhã eu fico triste, hoje não!
(Anônimo - encontrado no dormitório de crianças judias em Auschwitz.)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Jardim 2015


Na foto este ipê parece rosado, mas ao vivo parecia neve sobre os galhos... lindo demais!
(perto da Praça Duque de Caxias, descendo a rua em frente à Catedral)


Flor de pitanga... sempre tive um pé de pitanga, mas nunca havia percebido o doce aroma das flores. Agradável surpresa!


Flor de mirra... tão pequenininha... mas o conjunto forma um delicado buque parecendo neve, o que reaviva a imaginação já que florescem no inverno!



Lágrimas de Cristo... resgatei quase morrendo, quase sem esperança... e aí está ela... cheia de flores!!!


Flor de cera! quando criança esta planta nunca florescia... levou anos para acontecer e terminou virando o xodó.
 Em uma das casas em que morei quase a perdi devido às circunstâncias inapropriadas em que ela se encontrava... restou um pequeno galho e com muitos cuidados e mimos ela foi encorpando... crescendo... crescendo... Hoje está linda e neste ano deu mais de quinze buques!!!

Flor de cera em botão


Flor de trevo... tão pequenininha... tão delicada... passa imperceptível no meio das flores grandes... mas está lá com sua suave presença!!!

Orquídeas 2015

"Felicidade se acha é em horinhas de descuido."
Guimarães Rosa

"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo."
Carlos Drummond de Andrade


"Que a felicidade não dependa do tempo, nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro. Que ela possa vir com toda a simplicidade, de dentro para fora, de cada um para todos."
Carlos Drummond de Andrade 


"Somos as coisas que moram dentro de nós. Por isso, há pessoas que são tão bonitas, não pela cara, mas pela exuberância do seu mundo interno."
Rubem Alves


"A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas."
Carlos Drummond de Andrade


"O próprio viver é morrer, 
porque não temos um dia a mais
na nossa vida que não tenhamos, nisso,
um dia a menos nela.
Fernando Pessoa


"Aprendi a não tentar convencer ninguém. 
O trabalho de convencer é uma falta de respeito.
É uma tentativa de colonização do outro."
Saramago


Essa vida
eu não sei se vai para frente ou para trás.
Amanhã, por exemplo,
é um dia a menos ou um dia a mais?


"Nem teus piores inimigos podem fazer tanto dano como teus próprios pensamentos."
Buda





quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Cora Coralina

Ipê amarelo

"Fechei os olhos e pedi um favor ao vento:
leve tudo que for desnecessário.
Ando cansada de bagagens pesadas.
Daqui para frente apenas o que couber no bolso e no coração."
Cora Coralina

domingo, 10 de janeiro de 2016

Como cultivar orquídeas

Cymbidium

http://pt.m.wikihow.com/Cultivar-Orqu%C3%ADdeas-Cymbidium

Orquidário Paulista

http://www.orquidariopaulista.com.br/videos.html

domingo, 4 de outubro de 2015

Lisa


No dia 2 de outubro, às 16:10 h a Lisa me deixa, de repente, sem muito aviso...


Foram 16 anos de companhia, 16 anos conquistados... porque ela poderia ter morrido aos 2 meses de idade, mas conseguiu chegar a uma idade avançada, aos trancos e barrancos, mas chegou...


 Em 1999 vi aquela cachorrinha doente tentando entrar na casa da vizinha que tinha uma cocker igual a ela, devia imaginar que era a mãe desaparecida. Fui lá  peguei-a e levei ao veterinário, onde levei uma bronca por ter pegado um animal tão doente: pneumonia, sarna, subnutrição... quase morrendo. Um veterinário que a tratou com desdem, deu um remédio que estragou os dentes dela, mal a tocava... por causa deste tratamento mudei de veterinário para o dr. Marcelo, onde estou até hoje. Cuidei dela e ela se recuperou, ficando uma cachorra linda, mas sempre com sequelas...


Neste novo lar já tinha três cachorros, então ela logo percebeu que não seria a dominante, mas ela adorava o Toffee e o Teddy, e a Sookie que veio mais tarde a adorava. Ela se irritava com as investidas e carinhos excessivos da Sookie. A situação mudou quando o Toffee e o Teddy faleceram. Ficaram só as duas que tornaram-se inseparáveis. Sempre juntas, nunca se largando.


O olhar triste sempre a acompanhou. Levou anos para aprender a dizer que estava do lado de fora e a esqueceram lá. Várias vezes quando a soltava para fazer xixi esqueci-a lá fora, só percebia quando via  vazio dela na casa, já ficou horas esperando que abrissem a porta. Um dia aprendeu que tinha que latir para ser ouvida...


Antes dos dois anos quase morreu. A vizinha jogou comida estraga no quintal e a Lisa não podia deixar para lá - comeu e começou a vomitar, no mais longo feriado prolongado de Osasco, o doutor viajando, dois dias vomitando, passei a noite acordada vigiando o sono dela e quando consegui levá-la ao veterinário ficou internada com suspeita de leptospirose com o diagnóstico de que não sobreviveria. Quando o doutor Marcelo voltou ficou mais três ou quatro dias internada até sair o resultado do exame que deu negativo, era uma intoxicação alimentar. Estava muito frio quando fui buscá-la e ela ganhou a primeira roupinha. A segunda tentativa da morte em pegá-la! 


Logo depois eu quase a perco quando ela deve ter subido no muro para latir para alguém e caiu do outro lado. Estava me esperando do lado de fora do portão.


Nos primeiros anos de vida ela tinha uma juba linda envolta do pescoço, mas devido a um problema de pele causado por ácaros ela precisava ser tosada e perdeu aquela juba maravilhosa, nunca mais cresceu do mesmo jeito...


Problemas com o intestino eram frequentes devido a grandes quantidades de remédios que tomou...


Era forte... venceu vários problemas de saúde e demorou para que os rins começassem a falhar...

Última foto - em agosto; Nina dormindo em cima da Lisa

Nos últimos anos começaram as primeiras manifestações da coluna, fazendo-a perder o equilíbrio... mas eram solucionados rapidamente com medicação... mais um fator agravante...
Na última semana de vida, quando tentava se equilibrar para ficar de pé a Nina sempre ao lado, mas atrapalhando do que ajudando... acredito que ela pressentia algo, talvez a dor que a Lisa sentia...



 Não gostava de brincar de bolinha, não sabia brincar... quando jogavam uma bolinha ela no máximo pegava e a deixava na boca...  se pudesse comia tudo o que tinha pela frente, inclusive cocô de gato (vício irrecuperável) - fazia de tudo para ter acesso a esta iguaria!


Com seu jeito tranquilo tinha pequenos prazeres... cafuné no pescoço, ser escovada, terminar de raspar a casca de coco... Também mordia as canelas dos homens que a incomodavam...
Morria de medo de trovões e fogos de artifício! Há anos não vejo os fogos de fim de ano para ficar ao lado dela. Quantas vezes não cheguei em casa e vi o fogão fora do lugar - ela tentava se esconder atrás dele quando começava uma tempestade. Não gostava de ir tomar banho, ficava feliz de ver o Márcio, mas não de entrar na van, mas voltava toda linda e perfumada com fitas e laços e se sentia a mais linda de todas!


Era evidente quando fazia algo errado, não aparecia para me receber quando chegava em casa... E conhecia melhor que ninguém meus tons de voz, fugia ao perceber qualquer alteração do meu humor. 


Este ano já não estava muito ativa... a idade já a fazia dormir profundamente e normalmente não me ouvia chegar. A Sookie corria para acordá-la para avisar que cheguei, ela dava um cutucão, às vezes dois até ela levantar. 
Tornaram-se tão inseparáveis que a Sookie só comia depois que a Lisa recebesse seu prato... iam juntas fazer xixi - uma sempre esperando a outra... acompanhando, dormindo próximas, vigiando e cuidando simultaneamente. 


Nos dois últimos anos tinha o hábito de me acompanhar até o portão e ficar latindo quando me via sair do ponto de visão dela. Ouvia o latido por um bom tempo enquanto subia a rua.
Aprendeu também a ser meu despertador; quando eu não levantava quando tocava ela começava a latir para que eu levantasse da cama porque ela queria ir fazer xixi...


Era a única que quando passava mal ia para o quintal, isso só não acontecia se eu não percebesse a ansiedade para sair e o pedido insistente... 


Quando questiono o que vim fazer ao mundo é a Lisa que me responde, ela não deveria ter sobrevivido àqueles dias e chegou aos 16 anos tendo uma vida saudável e feliz e eu fui a responsável por isso.


Sabe que está sendo filmada, mas finge que não se importa!
De tudo só resta o consolo que não sofreu por muito tempo como aconteceu com os outros, dias e dias de sofrimento, idas e vindas ao veterinário, internações... sofrimento para eles e para mim... que vejo a minha inutilidade em ajudar e resolver o que não tem mais solução...